terça-feira, 20 de abril de 2010

O Estilo de Pey


Confesso que fiquei comovido quando li no blog do Sensei José Ramalho (http://gojuhoshindo.blogspot.com/), meu venerável Mestre, uma curta história sobre a origem do estilo de Pey, que eu pensava já esquecida.

É com bastante emoção que recordo aqueles tempos.

Eu era novo e garboso, ao contrário de agora que, gasto de levar tanta pancada, mais pareço um pobre cavalo de competição em fim de carreira (se bem que estes últimos quando se aposentam tenham como fim último a reprodução da espécie...).

A bem da verdade, e porque a modéstia não me deixava falar do assunto, ainda recordo o episódio como se tivesse ocorrido hoje.

O mestre de que reza a lenda não era nem mais nem menos que o lendário Mestre Mário Iguana, temido por todos os outros mestres da ilha de Oh!kinada porque tinha uns socos de tal forma poderosos que até as pedras choravam quando ele lhes batia. Ele era tão bárbaro que chegava a enfiar paus em pedras e depois pavoneava-se com elas nos treinos dizendo que se tratava de instrumentos tradicionais e que serviam para fortalecer o corpo e a mente (especialmente se as deixássemos cair na tola...).

Hoje, certamente não teria tido a ousadia nem a audácia de desafiar tão temeroso guerreiro, nem sei se ele seria tão parvo ao ponto de tapar os olhos, mas como diz o velho ditado:

     "Tapas os olhos ... doem-te os folhos!"

Irreverências duma juventude há muito esquecida...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Jorge Rambo


Como sabem, não me foi possivel participar do "Estágio Mais Rápido do Planeta".

Pelo que consta chegou a bater o antigo recorde do famoso Rali Jerónimos - Pastéis de Belém.

Perdi uma oportunidade para vos mostrar os meus dotes. Quase de certeza que, quando os meliantes vissem os meus bícepedes ficariam assustados e fugiam, dando oportunidade aos outros Mestres de dar um ar da sua graça.

Isso de ir para o Fogueteiro de pijama branco, já deu o que tinha a dar.

A moda agora é tirinha no cabelo e camisola de alças. Têm de se manter actualizados. Porém dispenso os brinquinhos, que é uma coisa para piratas ou para gays. Já agora, a putalhada começou toda a usar brinquinhos de argola na orelha. Será que eles são todos piratas? Não me parece... 

Têm é de me avisar com 15 dias de antecedência porque não é fácil mobilizar a esquadrilha de helicópteros que, por norma, me acompanha.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Portalegre 2010 - II


- as novas camisas-de-forças do Hospital Júlio de Matos -

 
Ontem o cansaço era muito e esqueci-me de referenciar o meu Panda de estimação.

Este ano resolvi levar um dos meus bichinhos a passear. Como o Ice, a Tati, a Sasha e a Luna, tinham compromissos, resolvi levar o meu "Panda do Kung-Tanga" ao estágio.

O bicho é meio manhoso e ao fim de alguns minutos já estava agarrado ao joelho a gritar "dói! dói!".

Ora, se quem o criou tivesse sido mais cuidadoso, ele tinha nascido com 4 joelhos (como a figura mítica do Sensei Chomon ...), assim, mesmo que lhe doesse um, ainda tinha três para continuar o treino.

Estranho é que, quando aparecia o frango assado ( e estamos a falar de 18 frangos!!!), a dorzinha parecia esvair-se e a bocarra começava a funcionar.

Ainda lhe disse que se devia limitar a umas folhinhas de bambú, mas ele afastou a hipótese e disse que se quisesse verduras andava de elevador com o Daniel, e que, embora fosse Panda, era tão carnívoro como os restantes animais com quem se dava.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Portalegre 2010

Acabou mais um Kangeiko. A região escolhida foi Portalegre. Como se trata de um estágio de Inverno escolhem sempre o local  do País onde o frio mais aperta. Mesmo assim, e contra todas as expectativas não nevou.

Ainda estou à espera de um kangeiko nas Canárias (as Ilhas, não as passarinhas...).

Os treinos foram todos muito e bons e variados e tivemos mesmo a presença do Sensei Chomon, que fez o que pode para alegrar o pessoal.

Apareceu-nos, de surpresa, um personagem que dizia ser filho do Pinto da Costa e do Vítor Baía, e, não obstante os nossos esforços, persistia em tentar beijar-nos na cara...

Também tivemos o nosso momento Gay (há quem os tenha Zen), em que passámos uma hora agarrados ao pau. Pela primeira vez neste tipo de actividade houve pau para todos, embora alguns fossem pequeninos...

Uma planta da Pousada da Juventude teve a sorte de ficar presa no elevador com o Daniel, quando a soltámos tremia por tudo o que era caule só de pensar que se tivesse sido o Albino ou a Maria João a lá ficarem, a esta hora já só restava o vaso. Os gajos não resistem ao verde...

Tivemos ainda tempo para uma tarde na piscina Municipal.
Aquilo era ver o Pavarotti a saltar para dentro de água, e eu e David a sermos projectados borda fora. O David gostou tanto do pessoal daquele equipamento desportivo que, à falta de moedas, lhes ofereceu uns óculos de sol RayBan.

Também ficámos a saber que há filhos que amam as mães. Vá-se lá perceber porquê. Será porque se não fossem elas a ter os filhos o mundo estava deserto? Ou será porque só a elas conseguem "engrupir"? Elas parecem ter um filtro no que toca aos filhos. Se eles erram, é porque ainda estão a aprender. Se nós erramos, pensam logo que a pena de morte não devia ter sido abolida em Portugal.
Deixo este pensamento, como legado, para o priapista desenvolver ...



No final do Estágio, pode-se ver que tanto eu como a Rita parecemos estar com pulgas, mas, na realidade, foram apenas alguns piolhos-mitopitongos que fugiram da cabeça do gajo com o cabelo à Dark Vader, que se encontrava atrás de nós.

O Sensei Paquito ainda estava a pensar em como é que o tinham convencido a deixar o Marvão para ir treinar.

A viagem de regresso correu muito bem, embora o nosso guia nos tivesse levado a dar uma voltinha extra de algumas centenas de metros, nada que se assemelhe ao nosso velho Mestre que, quando falha um desvio o faz em grande e nos faz percorrer mais 50 quilómetros do que o planeado.

Para o ano, se tudo correr bem, há mais...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Pra não destoar

Embora seja judeu assumido, todos me têm desejado um Feliz Natal e um Bom 2010.
Assim, eu e os restantes elementos da minha tribo, retribuimos e desejamos a todos um Feliz Hanuka e um Grimk 2010.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Estágio com o Sensei Onaga



Acabou!

Foram quatro intensos treinos com o Sensei Ryoichi Onaga, 9º. Dan de Okinawa Goju Ryu.

Comecei a estagiar com o Sensei era eu cinto amarelo (8º. Kyu), em 1985, em Múrcia. Uma ou duas vezes por ano lá íamos nós (o Sensei Álvaro Silva - meu instrutor até 2º. Dan), o Fernando Santos - também assíduo nestas andanças - para Espanha, onde ficávamos, em média uma semana a treinar durante o dia com o Sensei Luis Nunes e à noite com o Sensei Onaga.
Já naquele tempo o dinheiro não esticava e, para além dos Sensei não nos cobrarem os treinos, deixavam-nos pernoitar em sacos-cama no Dojo Age Arashi original, que era uma garagem adaptada. Também tínhamos um restaurante onde acabámos por ficar "habitués" e o dono fazia-nos sempre um preço especial.
Mesmo assim, a vida não era fácil.
Os treinos com o Sensei Luis Nunes começavam por volta das 7:00 da manhã e acabavam por volta das 13:00. O pequeno almoço era, na maioria das vezes, um quadrado de chocolate (não havia tempo para mais...) e, só a meio da manhã, quando tinhamos de ir para um outro Dojo (a uma meia hora de distância a pé - pois é bebé, não havia "pópós") é que conseguiamos beber um galão e comer uma sandes.
Depois do almoço, descansávamos um bocadinho ou, em alternativa, íamos passear para o El Corte Inglês...
À noite, das 19:00 às 22:00 tinhamos mais dois treinos com o Sensei Onaga.
Isto é que era vida. Considerávamo-nos uns privilegiados por poder treinar com três Mestres tão bons (incluo neste grupo o Sensei Álvaro Silva).
Por vicissitudes diversas acábámos por nos separar. O Sensei Onaga abandonou a Organização onde estávamos filiados e nunca mais conseguimos treinar juntos.

Foi, pois, com muita alegria e ansiedade que recebemos o convite por parte do Sensei Armando Inocentes (que, por coincidência, também foi um dos meus primeiros Instrutores no CAQ) para assistir ao estágio que iria ser ministrado por ele de 13 a 15/Nov/09.
Pela nossa parte (Touitsu-Dojo), penso que também não defraudámos as espectativas do Sensei Armando, dado que levámos 23 karatecas com elevado nível técnico (dos quais 7 eram cinto negro), e o empenhamento de todos foi notório.
A forma como decorreu o estágio também foi excelente. O Sensei Onaga provou (como se isso fosse preciso...) mais uma vez estar em grande forma tanto física como técnica.
A forma como abordava as diversas técnicas e explicava as pequenas diferenças que existiam actualmente na forma como os Kata, p.e., eram executados foi simples, directa e objectiva. Penso que todos, independentemente do facto do Sensei apenas falar espanhol, compreenderam a mensagem.
Era interessante, por vezes, após finalizarmos a execução dum Kata, vê-lo a olhar para nós e conseguia-se perceber pelo seu olhar que ele estava a escolher as palavras para evitar ferir susceptibilidades, dado que estávam representadas 3 Associações diferentes naquele estágio - embora todas de Goju-Ryu. Aqui também deu para perceber que umas são mais "Goju" e as outras mais "Ryu", são opções...
Para além do nível técnico irrepreensível, também a sua simpatia e simplicidade nos cativou. Penso que muitos "grandes" mestres, podiam olhar para este Senhor e neste campo seguir as suas pisadas. Mais uma vez ... opções ...
Por diversas vezes o Sensei afirmou o que muitos parecem querer esquecer: "Embora em Associações diferentes, todos temos a mesma origem..."

Acabei o estágio sem me conseguir mexer, a carga foi grande e as repetições foram muitas, mas eu gosto mesmo é do "Goju", por isso, mesmo desgastado, não me arrependo.

Múrcia e os tempos da minha juventude não me saíam do pensamento ... só faltavam mesmo as "sevilhanas".

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aftas

Um amigo meu, quer dizer, pelo menos era até eu postar este artigo, queixa-se de que tinha um andar "estranho" e que tal se devia a ter duas lesões (uma em cada pé).

As probabilidades disto acontecer são, no mínimo, infimas.

Porque é que as pessoas não assumem que com a idade, às vezes, os gostos mudam? Eu, por exemplo, tenho a boca cheia de áftas e ninguém acredita que é de comer castanhas assadas muito quentes ...

Há que ter frontalidade, como dizia o grande Baptista Bastos.

Já agora, "olha lá óh minha pu... fascista, onde é que estavas no 25 de Abril de 1974?"